O MOLDE

Sexta-feira acabei de modelar o protótipo da réplica do azulejo de Massarelos que irei produzir.

Demorei mais tempo do que estava à espera; nisto do modelar nunca sei bem se prefiro ir acrescentando o barro por camadas até adquirir o relevo pretendido ou se, pelo contrário, é melhor partir de um bloco inicial e ir removendo o material até chegar à forma desejada, de modo que vou fazendo uma mistura das duas técnicas; ora acrescento, ora removo e posso ficar nisto horas, sem avançar absolutamente nada, obcecada em tentar reproduzir o mais fielmente possível o motivo original e repetindo várias vezes para mim mesma “pronto, já está; agora os detalhes fazem-se no molde”, mas depois reparo num pormenor que não me parece bem e lá recomeça tudo – não direi infinitamente, porque nalguma altura tenho de terminar e sim, passar ao molde.

Hoje estive a fazê-lo. É igualmente viciante. É nesta fase que se executam os tais detalhes que falei há pouco e também os acabamentos finais. Aperfeiçoam-se relevos, avivam-se arestas, arredondam-se formas, alisa-se o fundo. Trabalha-se em negativo e com precisão e é preciso estar atento para não se fazer asneira, qualquer erro fica marcado no gesso. A tentação de se ficar ali a retocar, a retocar, é bastante grande, mas agora já não funciona o método de voltar a acrescentar material quando já se removeu demasiado. Ainda bem!

 

 

 

 

ARCO DO ALHAMBRA

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Entreguei já todas as réplicas dos azulejos relevados que me encomendaram para o Arco do Alhambra – 10 “Parras”, 10 “Folhas de Videira”e 15 “Panóplias Militares” – que irão colmatar lacunas e substituir azulejos em franco mau estado de conservação existentes na superfície parietal.

A encomenda foi-me feita no início de Dezembro e ainda assim consegui fazê-la em tempo record, tendo em conta que para cada exemplar teve de ser modelado um protótipo inicial, fazer-se um molde e tirar-se mais do que o número de azulejos precisos; isto durante estes dois últimos meses em que a humidade e o frio aqui na oficina estiveram nos seus limites máximos e toda a secagem foi bastante complicada.

Depois foram as experiências de cor, inúmeros testes de vidrados base e tintas de alto fogo, receitas, referências e fornadas, que se foram acumulando aqui na bancada e que agora ainda tenho de inventariar. E a seguir vidrar e pintar cada um deles, com calma para o resultado ficar bem.

Anteontem entreguei as réplicas ao meu colega Ivo, que tem estado a fazer o restauro de todo o conjunto azulejar e que as vai assentar na parede – uma semana antes do prazo que eu tinha previsto, pois assim mo pediram de repente. Não fiquei totalmente segura quanto aos verdes, estava ainda a tirar conclusões quanto ao tom, à consistência da tinta e à temperatura de cozedura; ainda me faltou mais um passo, que já não tive tempo de o fazer. De qualquer modo os verdes originais variam bastante de tonalidades; basta pensar que uma produção daquela quantidade era cozida em fornos a lenha e sujeita a diferentes temperaturas entre si.

Estou curiosa para ver o resultado.

SECOS

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Entrei neste ano de 2015 com algum trabalho entre mãos, o qual me tem mantido bastante ocupada nestes últimos tempos. Tive uma encomenda de réplicas de três azulejos relevados diferentes – Parra com cacho de uvas, Videiras e Panóplias militares -, que já tinha falado aqui e aqui, num total de trinta e cinco unidades. Apesar da pouca quantidade de cada tipologia, a fase inicial inicial é sempre a mesma, trabalhosa e minuciosa – modelar um protótipo à vista e depois fazer um molde. A partir desse molde consigo tirar o número de unidades que preciso, neste caso dez ou quinze de cada, mas que poderiam até ser mil.

Neste momento e depois de penar com tanto frio e humidade no ar, tenho finalmente todos os azulejos secos e prontos para serem enchacotados. E depois é passar à segunda fase, a dos vidrados e tintas, a qual, confesso, me deixa sempre ligeiramente angustiada.

Mais informação em Tardoz.pt

1900

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Aproveitando a deixa das réplicas de azulejos Arte Nova que tive de fazer para a Rua Garret em Outubro passado – e das quais ainda não recebi – resolvi fazer também estes dois moldes que seguem para juntar à minha nova produção deste ano. São bastante diferentes de todos os que tenho andado a fazer entretanto; mas, por isso mesmo, são também os únicos que já têm nome de série: 1900. I e II.

TRÊS DIAS

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Ando há três dias às voltas com este molde; não parecia, mas tem-me dado muito mais trabalho do que aquele que eu contava: apara daqui, acerta dali, raspa, raspa, raspa; torna a aparar daqui, volta a escavar ali. Podia ficar assim eternamente, mas pus agora mesmo um ponto final, antes que dê em doida – que obsessiva compulsiva já estou. E pronto; está dado como terminado o novo molde do terceiro azulejo que ando a fazer desta nova produção.

(E amanhã, quando chegar, já sei que não vou resistir a ainda lhe dar mais uns retoques….)

TERCEIRO

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Acabei agora mesmo o terceiro protótipo de um novo azulejo da  produção deste ano. Nada como um fim-de-semana sem pensar nisto (mentira!), para o trabalho correr bastante melhor. As questões técnicas que me estavam a preocupar foram ultrapassadas e algumas ideias foram postas no sítio – por ordem de prioridades -, antes que o descalabro se tornasse total. Vamos com calma. E para já, este segue para tirar molde.

MADRE II

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Hoje o dia não me está a correr bem. Desmanchei totalmente o novo protótipo que estava a fazer e comecei um outro que também não estou a conseguir dar a forma que pretendo – ando muito cansada e parece-me que também a precisar de uns óculos.

Resolvi então pegar no molde  em gesso que tirei ontem, do segundo azulejo que fiz desta nova produção. Está pronta a madre, mas também não estou convencida.

Acho que me vou embora já e antes de apanhar o autocarro, passo no café e compro um chocolatinho.