CHACOTAS

Estou a tentar acabar e entregar até ao final do ano todas as encomendas que tenho em mãos e que aos poucos vou dando vazão.

O tempo tem estado húmido e é difícil secar as peças aqui na oficina, mas ainda dentro do prazo previsto, consegui enchacotar estas peças que fiz há cerca de um mês, para um painel do tipo alicatado, igual ao revestimento azulejar da Sala Árabe do Palácio Nacional de Sintra – que já tinha feito este ano e que agora me foi encomendado outra vez.

Hoje estive a preparar os vidrados azul, verde e branco; ficam a repousar para amanhã serem utilizados e na sexta conto fazer uma fornada. Com um pouco de sorte fica tudo bem à primeira, mas não acredito que não haja peças com pequenos defeitos de vidrado e portanto ainda tenho margem para fazer retoques na próxima segunda-feira, enfornar e cozer de novo durante o Natal e ter tudo pronto dia 27, quando tenciono fechar a loja e voltar no ano novo, com novos projectos fresquinhos e a estrear.

 

ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA

Estou muito satisfeita com o conjunto de azulejos que pintei por encomenda para a Universidade da Lapónia e cujos desenhos aguarelados chegaram por carta directamente à caixa do correio aqui da oficina.

Foram 18 ilustrações botânicas diferentes, com representações científicas de plantas do Ártico, bastante detalhadas e minuciosas; as quais reproduzi manualmente, uma a uma, sobre o vidrado crú, com o rigor e a obsessão de quem teve formação e trabalhou em restauro durante 20 anos e que agora ganha a vida a fazer réplicas de azulejos quase miméticas – uma trabalheira, portanto; muito maior do que aquela que avaliei ao princípio, quando julguei que era apenas para pintar flores.

Foi toda uma linguagem nova, muito diferente da que estou habituada e a sua aprendizagem foi principalmente o que ganhei com este trabalho. Tenho pena que me tenham encomendado azulejos industriais finos, de 15×15 – os mais feios de todos, aqueles que eu não uso nunca! – mas enfim, acho que agora consigo ponderar voltar a pintar alguns destes desenhos em azulejos manuais, feitos aqui na oficina, muito mais bonitos. E só porque sim.

 

 

 

RUBUS CHAMAEMORUS

E quando tudo levava a crer que já tinha terminado a encomenda para a Universidade da Lapónia,  que já tinha falado aqui, eis que recebo ainda mais três imagens destas pequenas plantinhas resistentes ao frio, as quais pintei em mais três azulejos, aumentado o número total para 18 azulejos.

A última a ser pintada foi esta pequena plantinha silvestre, resistente ao frio, que pode crescer em latitudes tão elevadas como por exemplo 78ºN, de seu nome Rubus Chamaemorus, a qual produz uma pequena amora linda, cor-de-laranja; ao que parece, um fruto suculento muito saboroso, com o qual se pode fazer compotas, sumos, gelados, tartes e licores!

 

LAPIN YLIOPISTO

Ainda estou espantada com as coisas que me acontecem! Alguém me descobriu na Finlândia e ontem recebi uma carta directamente da Lapin Yliopisto, na Lapónia – a universidade mais setentrional da União Europeia -, com 24 ilustrações de plantas que me pedem para pintar em azulejos. Será para a casa do Pai Natal?

QUARTO DE QUATRO

Terminei hoje o último quarto do painel que tenho estado a pintar para o revestimento de um balcão com quatro metros de comprimento e que tenho de entregar no dia 17 deste mês.

Estou ansiosa para finalmente ver o painel inteiro – vai a cozer esta noite e entretanto tento arranjar espaço para o estender no chão aqui da oficina; confesso que estou um pouco receosa com as transições entre os quatro segmentos, não tenho a certeza se são feitas harmoniosamente ou não. De qualquer modo e, à cautela, daqui a dois dias já vejo resultados e se alguma coisa estiver mal, ainda tenho tempo de a refazer ou aperfeiçoar e entregar tudo no prazo pedido.

 

 

 

AZUL E BRANCO

Às vezes acontece-me isto. Pedem-me um orçamento para a manufactura de um painel de azulejos, com um determinado tipo de decoração e tamanho e até amostras de cor de possíveis vidrados em tons âmbar e depois, afinal, o painel vai ser maior do que aquilo que estava previsto, os vidrados transparentes desaparecem e a decoração pedida passa a ser aquela tradicional, figurativa, a azul e branco – aquela que eu não sei fazer e que normalmente recuso; não sou uma pintora de painéis de azulejos, há quem faça disso a sua vida e o faça muito melhor do que eu.

Mas às vezes acontece-me isto; e não sei bem como, nem de que maneira, mas dei por mim a pintar uma paisagem rural, a azul e branco, num painel de azulejos de quatro metros de comprimento, que ainda por cima não me cabe todo no taipal e que tem de ser pintado em quatro quartos, um de cada vez e que tenho a sensação de ir avançando com o trabalho sem ter bem a certeza do que é que estou a fazer e sempre com medo que saia tudo mal, mas enfim; eu avisei.

 

 

 

PADRONAGEM INDUSTRIAL

Mais uma encomenda pronta e a riscar da lista dos mil e um afazeres que tenho tido entre mãos desde o início do ano e cujos prazos de entrega vou tentando cumprir ordeiramente e por ordem de chegada ou complexidade – desta feita, cerca de 90 réplicas de azulejos de fachada, de padronagem industrial, que curiosamente me foram encomendados para um revestimento de uma casa de banho e que, não é para me gabar, mas acho que ficaram muito bem.