CRUA

Acabei de vidrar a primeira amostra das réplicas de frisos em relevo que estou a fazer para o Palácio Nacional de Sintra.

Confesso que, de uma forma geral, estou sempre pouco confiante com a questão dos vidrados e em casos como este ainda mais, uma vez que os mesmos são aplicados com trincha, coisa a que não estou habituada e fico sempre um pouco angustiada com o trabalho, pois não consigo ter noção da espessura das camadas que apliquei, – se demasiado finas, se demasiado espessas. E em ambos os casos temos defeitos de vidrado depois da cozedura.

Enfim, vai ao forno esta noite; resultados, agora, só na segunda-feira. Vou passar o fim-de-semana a fazer figas.

 

 

 

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EDIÇÃO LIMITADA

Estou muito satisfeita: em tempo record consegui fazer, embalar e entregar no prazo previsto uma edição limitada de 70 Relógios de Sol, que me foram encomendados pela Ageneal, a Agência Municipal de Energia de Almada, da Câmara Municipal de Almada, para assinalarem o seu 20º aniversário.

Cada peça é única, mede cerca de 12x12cm e foi totalmente executada à mão; o mostrador é em grés, com aplicação pontual de óxido de ferro, gravado de acordo com a latitude 38ºN e personalizado com o logotipo da Ageneal e o gnómon (ponteiro) é em aço inoxidável.

Em cada tardoz, o carimbo da Ageneal e o da Tardoz e a numeração da respectiva peça.

ALICATADOS

Acabei finalmente a manufactura de todos os azulejos que me foram encomendados para a nova cafetaria do Palácio Nacional de Sintra.

Na sua maioria, foram azulejos manuais lisos, quadrados, de várias dimensões e também alguns frisos, uns mais curtos e outros mais longos, para forrar o balcão e as mesas altas, e ainda uma série de paralelogramos para compor um painel de tipo alicatado, baseado no revestimento azulejar da Sala Árabe, que apresenta uma composição geométrica de efeito tridimensional, e que irá decorar a parede de entrada.

LASTRA

 

Comecei a trabalhar num projecto cerâmico aliciante e bastante diferente daqueles a que estou habituada, o qual aceitei imediatamente quando fui contactada – a manufactura de cinco candeeiros/luminárias/apliques em terracota, para as paredes de um pátio interior de um hotel em Lisboa.

De acordo com o desenho apresentado, serão executados quatro modelos diferentes, todos semelhantes em comprimento e largura, mas distintos na forma e na altura das superfícies frontais – um deles será repetido.

A manufactura não é complicada, mas apresenta alguns requisitos técnicos que convém obedecer; cada modelo será executado com lastras de dimensões consideráveis, as quais têm de ser cortadas tendo em atenção a percentagem de retracção do barro a fim de, no final, se respeitar o mais possível as medidas apresentadas no projecto; as lastras não devem ter uma grande espessura para não conferir demasiado peso a cada peça, mas por outro lado, também não podem ser finas demais, pois terão pouca estrutura e maior tendência a empenar durante a secagem e a cozedura; a montagem das lastras deve ser executada quando as mesmas apresentarem já um certo grau de secagem, caso contrário e, com estas dimensões, estarão moles demais para se poder manusear sem que haja deformação imediata; por último, a secagem deve ser feita muuuito lentamente e apesar desta humidade e frio aqui na oficina e também de uma certa urgência no prazo de entrega das peças, ainda assim vou ter de tapá-las com plástico durante uns dias para tentar evitar empenos, deformações e fendas.

Depois fica a faltar a cozedura, mas cada coisa a seu tempo.

 

 

 

VERDE COBRE

Acabaram de sair do forno os primeiros azulejos que ando a fazer para a nova cafetaria do palácio de Sintra.

São 150 unidades de azulejos verdes, executados sobre chacotas manuais com 14x14cm, baseados nos que existem no Pátio do Leão e tal como estes, apresentam várias tonalidades de verde, resultantes da vidragem ser feita à mão com vidrado transparente e óxido de cobre.