QUARTO DE QUATRO

Terminei hoje o último quarto do painel que tenho estado a pintar para o revestimento de um balcão com quatro metros de comprimento e que tenho de entregar no dia 17 deste mês.

Estou ansiosa para finalmente ver o painel inteiro – vai a cozer esta noite e entretanto tento arranjar espaço para o estender no chão aqui da oficina; confesso que estou um pouco receosa com as transições entre os quatro segmentos, não tenho a certeza se são feitas harmoniosamente ou não. De qualquer modo e, à cautela, daqui a dois dias já vejo resultados e se alguma coisa estiver mal, ainda tenho tempo de a refazer ou aperfeiçoar e entregar tudo no prazo pedido.

 

 

 

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FRISOS RELEVADOS

Saíram hoje do forno os primeiros exemplares das réplicas de frisos do séc. XVI, que fiz para o Palácio Nacional de Sintra e que irão ser colocados num pequeno posto da Sala Árabe, inseridos no novo circuito de acessibilidades para visitantes com necessidades especiais.

Estou um pouco reticente quanto aos tons, especialmente dos da peça inferior, mas na verdade, os originais na parede apresentam tantas nuances entre eles, que estou a pensar assumi-los assim – uma vez que se tratam de réplicas e que não estarão integradas dentro do conjunto azulejar.

Ou então não; como sempre e, por precaução, fiz chacotas a mais e tenho quase a certeza de que não vou resistir a vidrar mais uma ou duas com outras tonalidades diferentes e depois levo todos os que tiver e nessa altura sempre se podem escolher os que parecerem melhor. Ao fim e ao cabo, só me pediram dois exemplares de cada.

CRUA

Acabei de vidrar a primeira amostra das réplicas de frisos em relevo que estou a fazer para o Palácio Nacional de Sintra.

Confesso que, de uma forma geral, estou sempre pouco confiante com a questão dos vidrados e em casos como este ainda mais, uma vez que os mesmos são aplicados com trincha, coisa a que não estou habituada e fico sempre um pouco angustiada com o trabalho, pois não consigo ter noção da espessura das camadas que apliquei, – se demasiado finas, se demasiado espessas. E em ambos os casos temos defeitos de vidrado depois da cozedura.

Enfim, vai ao forno esta noite; resultados, agora, só na segunda-feira. Vou passar o fim-de-semana a fazer figas.

 

 

 

OBCECADA

 

Acabei de modelar a réplica da peça inferior do conjunto de duas que compõem um dos elementos do friso da Sala Árabe, no Palácio Nacional de Sintra.

Demorei um pouco mais de tempo do que aquele que previ inicialmente; tive alguma dificuldade em perceber a definição dos relevos, apesar de ter várias fotografias tiradas de diferentes ângulos, por onde me basear – mas não é o mesmo do que ter uma peça original comigo, claro.

Bom, de qualquer modo, hoje dei-a por terminada –  muito a custo, que é sempre um problema eu conseguir parar; digo para mim mesma, em voz alta, pronto; já está!, isto depois pode-se aperfeiçoar directamente no gesso; mas fico obcecada com a coisa e começo a aperfeiçoar só mais este bocadinho e depois só mais aquele bocadinho, até dizer de novo, pronto, já está!, e começar outra vez a aperfeiçoar só mais esta pontinha e depois aquela… – mas, como estava a dizer, hoje dei a peça por terminada e pronta para tirar o molde, que o trabalho tem de avançar.

MAÇAROCA E FLOR-DE-LIS

Depois da empreitada que tive no final do ano passado, a produzir cerca de 50 réplicas de azulejos diferentes, com várias tipologias, tamanhos e espessuras para o Palácio Nacional de Sintra, foi-me agora pedida  ainda a manufactura de mais dois exemplares, que não tinham ficado decididos na altura.

Trata-se de uma réplica de um dos elementos do friso de azulejos relevados da Sala Árabe, compostos por duas peças verticais, com uma maçaroca numa flor-de-lis. Tal como a maioria das outras réplicas que fiz anteriormente, não existe nenhum exemplar disponível para ter comigo aqui na oficina, nem retirei nenhum molde do relevo directamente dos azulejos na parede, pelo que a modelação das peças é feita a olho, tentando reproduzir os motivos de modo a que estas se assemelhem o mais possível às originais do séc XVI.

Acabei agora de modelar o elemento superior; o próximo passo é tirar-lhe o molde.

 

ALICATADOS

Acabei finalmente a manufactura de todos os azulejos que me foram encomendados para a nova cafetaria do Palácio Nacional de Sintra.

Na sua maioria, foram azulejos manuais lisos, quadrados, de várias dimensões e também alguns frisos, uns mais curtos e outros mais longos, para forrar o balcão e as mesas altas, e ainda uma série de paralelogramos para compor um painel de tipo alicatado, baseado no revestimento azulejar da Sala Árabe, que apresenta uma composição geométrica de efeito tridimensional, e que irá decorar a parede de entrada.

PADRONAGEM INDUSTRIAL

Mais uma encomenda pronta e a riscar da lista dos mil e um afazeres que tenho tido entre mãos desde o início do ano e cujos prazos de entrega vou tentando cumprir ordeiramente e por ordem de chegada ou complexidade – desta feita, cerca de 90 réplicas de azulejos de fachada, de padronagem industrial, que curiosamente me foram encomendados para um revestimento de uma casa de banho e que, não é para me gabar, mas acho que ficaram muito bem.