ESTAÇÃO DE AVEIRO

Comecei o ano a pintar 24 réplicas de azulejos para colmatarem as lacunas existentes nos revestimentos das floreiras das janelas da antiga estação de comboios de Aveiro.

O conjunto azulejar desta estação, datado de 1916 e produzido na extinta Fábrica de Louça da Fonte Nova, é composto por 28 painéis de azulejos policromos (azuis e amarelos), da autoria de Francisco Pereira e Licínio Pinto, os quais representam cenas ferroviárias, paisagens naturais, figuras populares e actividades tradicionais ou monumentos desta região.

Para além destes painéis figurativos, a estação encontra-se ainda decorada do chão até ao telhado, quer na fachada exterior, quer na fachada que dá para o cais, com uma série de azulejos distribuídos por pequenas cartelas, molduras recortadas e revestimento das floreiras das janelas do andar superior, o que faz com que todo este conjunto seja considerado um prodígio decorativo – e que agora está a ser restaurado.

2020

Acabei o ano atarefada e comecei 2020 também atarefada.

Os projectos têm surgido e apesar de eu considerar que não há trabalhos mais importantes do que outros, a verdade é que alguns acabam por se impor pelo seu tamanho ou pelos prazos apertados que gosto de cumprir.

Isto para dizer que finalmente consegui reciclar todo o barro seco que tinha há que tempos dentro de um alguidar e lá arranjei coragem para o ir amassando, de acordo com a manufactura de uma série de azulejos de diferentes tamanhos e tipologias e espessuras, que me foram pedidos há algum tempo – e sem pressa – para vários projectos também eles com diferentes tamanhos e tipologias e espessuras.

Escusado será dizer que o fiz na época mais húmida do ano e que a oficina está gelada, portanto, ainda vão demorar a secar…

 

ESMERALDA

Saíram hoje do forno os últimos azulejos manuais que fiz para o Atelier de Arquitectura Inês Brandão e que irão forrar a chaminé da cozinha de um apartamento que está a ser renovado no centro de Lisboa.

Estou muito satisfeita com este trabalho, é o tipo de encomenda que gosto: quantidade controlada de azulejos – 2m2 apenas -, a qual pode ser feita cuidadosamente e com tons personalizados de acordo com o pedido do cliente. Dentro do orçamento estavam contemplados testes de cores, não só de vidrados, como também de tintas e ainda duas amostras no formato final. E se assim não fosse, nunca me ocorreria utilizar este vidrado tão branco como fundo, nem este verde esmeralda ou azul esmeralda, ou o que lhe queiram chamar – depende do nível de daltonismo de cada um -, pois estou demasiado formatada no clássico azul escuro sobre branco antigo. E assim ficaram lindos!

ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA

Estou muito satisfeita com o conjunto de azulejos que pintei por encomenda para a Universidade da Lapónia e cujos desenhos aguarelados chegaram por carta directamente à caixa do correio aqui da oficina.

Foram 18 ilustrações botânicas diferentes, com representações científicas de plantas do Ártico, bastante detalhadas e minuciosas; as quais reproduzi manualmente, uma a uma, sobre o vidrado crú, com o rigor e a obsessão de quem teve formação e trabalhou em restauro durante 20 anos e que agora ganha a vida a fazer réplicas de azulejos quase miméticas – uma trabalheira, portanto; muito maior do que aquela que avaliei ao princípio, quando julguei que era apenas para pintar flores.

Foi toda uma linguagem nova, muito diferente da que estou habituada e a sua aprendizagem foi principalmente o que ganhei com este trabalho. Tenho pena que me tenham encomendado azulejos industriais finos, de 15×15 – os mais feios de todos, aqueles que eu não uso nunca! – mas enfim, acho que agora consigo ponderar voltar a pintar alguns destes desenhos em azulejos manuais, feitos aqui na oficina, muito mais bonitos. E só porque sim.

 

 

 

RUBUS CHAMAEMORUS

E quando tudo levava a crer que já tinha terminado a encomenda para a Universidade da Lapónia,  que já tinha falado aqui, eis que recebo ainda mais três imagens destas pequenas plantinhas resistentes ao frio, as quais pintei em mais três azulejos, aumentado o número total para 18 azulejos.

A última a ser pintada foi esta pequena plantinha silvestre, resistente ao frio, que pode crescer em latitudes tão elevadas como por exemplo 78ºN, de seu nome Rubus Chamaemorus, a qual produz uma pequena amora linda, cor-de-laranja; ao que parece, um fruto suculento muito saboroso, com o qual se pode fazer compotas, sumos, gelados, tartes e licores!

 

RELAXADA

Estou quase a acabar de pintar os quinze azulejos com várias ilustrações de plantas do Ártico, que me encomendaram da Finlândia.

Foram-me enviadas fotocópias a cores com os desenhos a reproduzir, os quais tiveram de ser redimensionados para o tamanho dos azulejos – 15x15cm, neste caso -; uns foram aumentados, outros reduzidos e no final cada ilustração é relativamente pequena e tem alguns detalhes que custam a entender.

Confirmei mais uma vez como é importante usar as ferramentas adequadas a cada tarefa que se faz e agora trabalho levemente com a pontinha de pincéis cada vez mais fininhos, que raramente uso; a paleta de cores é aguada q.b., os tons são aplicados por camadas, primeiro os mais claros, depois os mais escuros. Não estou habituada a pintar desenhos assim tão delicados; tento que pareçam o mais natural possível, mas tenho dificuldades – são os pincelinhos, são as cores, as tintas, a escala e o pormenor. No entanto, à medida que avanço de uns para os outros vou compreendendo cada vez melhor o que é que devo fazer e como é que devo fazer; depois relaxo e deixo a mão executar – se calhar, no final, deveria repetir os dois ou três azulejos que pintei no início, mas não sei se vou ter paciência para isso.

 

 

 

CASSIOPE TETRAGONA

Comecei ontem a trabalhar na encomenda de 15 azulejos com ilustrações de plantas nativas do Ártico, para enviar para a Finlândia no final deste mês.

As ilustrações têm muito detalhe e é tudo muito pequenino; para já tenho estado a fazer os estregidos, que me estão a dar mais trabalho do que aquele que esperava, pois convêm ter um picotado apertadinho, para ficarem com melhor definição – e já estou a com os olhos em bico.

Amanha de manhã, quando a luz é melhor aqui na oficina, começo a pintar a Cassiope Tetragona, uma planta anã, que pelos vistos gosta de frio e se encontra por todo o lado no alto Ártico e norte da Noruega.