AOS QUADRADINHOS

Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.

A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.

E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.

Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.

 

AZUL E AMARELO

Estão entregues as 80 réplicas de azulejos do séc. XVII que fiz para a Igreja Matriz da Louriceira – feitas em tempo record e totalmente à mão; saíram quase directamente do forno para as paredes. Foram pintados cinco motivos diferentes, em número variado e não tive tempo de montar o padrão aqui na oficina, nem de fazer um ou outro ajuste que se calhar mereceriam; mas pela experiência que já tenho, acredito que vão ficar bem na parede, integradas no meio dos azulejos originais – fico curiosa por ver os resultados.

SÉC. XVII

Tenho andado ocupada com uma encomenda que me foi feita há cerca de um mês. Trata-se da manufactura de cerca de 80 réplicas de azulejos do séc. XVII, que irão colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar, do tipo tapete, de uma pequena igreja fora de Lisboa.

Apesar de alguma urgência na encomenda, as chacotas foram todas feitas à mão – os azulejos medem 14,4×14,4cm cada -, e apesar da minha preocupação com os tempos de secagem, a meu favor jogou não só o facto do tempo andar quentito, como também o dos azulejos originais serem bastante empenados e assim foi só estender as lastras, cortar os azulejos com a dimensão pretendida,  espalhá-los em ganapos por toda a oficina e deixá-los secar ao ar – o que aconteceu mais ou menos numa semana, coisa impensável no inverno, pelo menos aqui na oficina. E depois, não fosse o diabo tecê-las, enchacotei muito leeeeentameeeente durante os primeiros 200º e não tive nenhuma quebra.

Esta semana comecei a pintura, vinte azulejos por dia, mais ou menos; que não consigo fazer trabalho repetitivo por muito tempo e preciso de conjugar com outras coisas que tenho em mãos. Deixo os azulejos vidrados e limpos de véspera, pinto os motivos pedidos de cada tipologia necessária – são cinco diferentes, em número variável – meto nas gazetes e vidro e limpo o vidrado de mais vinte azulejos para o dia seguinte.

A semana que vem estão todos prontos para serem entregues; assim corra tudo bem com as fornadas.

 

 

 

CASA PARAÍSO

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Comecei o ano com mais uma encomenda terminada; na verdade, a última do ano passado – um pequeno painel de azulejos que fiz para o Rui Árias Ribeiro, da Iniciação à Genealogia    e que vai para a Casa Paraíso, uma pequena quinta no Alentejo.

O painel representa a árvore genealógica da D. Maria Serafina – aparecem não só os seus antepassados, como também os seus três filhos. No total são 18 pessoas, divididas por 5 gerações diferentes e organizar toda esta gente dentro de um esquema lógico que se adapte a um painel de azulejos, de modo a que nenhum nome coincida com nenhuma junta, ainda me deu algum trabalho, mas finalmente lá consegui chegar a alguma conclusão.

Agora que tenho alguma experiência, imagino que para a próxima seja mais fácil.

BARRA

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Estão terminadas e entregues as réplicas dos azulejos que fiz para completar uma barra com volutas existente no cimo da fachada de um prédio antigo no centro de Lisboa. Fico a aguardar o seu assentamento e nova fotografia com eles já na parede.

 

FOLHAS DE ACANTO

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Comecei a trabalhar num novo projecto; uma pequena encomenda que me fizeram de cerca de 50 réplicas de azulejos do séc XVIII que irão colmatar os azulejos em falta numa barra existente no cimo da fachada de um prédio do centro de Lisboa.

A barra é formada por 4 azulejos diferentes com enrolamentos de acanto, e o número que eu tenho de fazer de cada tipologia varia – agora 11 unidades de um, depois 9 unidades de outro, este são 13, 12 daquele – o que se torna muito mais simpático quando se tem de produzir manualmente em série; o trabalho faz-se por etapas e parece que avança mais depressa.

PADRONAGENS

2016-11-14-11-25-40

2016-11-19-08-45-46

2016-11-21-16-02-30

2016-11-21-16-09-17

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Estão terminados e prontos a entregar os 150 azulejinhos que fiz por encomenda para o casamento da Violeta e do Matteo, agora no início de Dezembro – a ideia é cada convidado receber um como lembrança deste dia.

Cada azulejinho mede 7x7cm e tem 1 cm de espessura e funciona como um módulo que, por repetição, forma diferentes padronagens. Depois de várias hipóteses, esta foi a minha preferida. E ainda não comecei a misturar cores.