MANGANÊS

Depois de alguns testes de cor, comecei finalmente a produzir as cerca de 100 réplicas de azulejos de padrão para a fachada de um edifício em Setúbal – e depois, os 100 frisos que acompanham a padronagem.

Tive alguns problemas com a obtenção do preto, que nunca ficava uma mancha tão escura como a dos azulejos originais – na verdade e ao contrário do que parece à primeira vista, a mancha não é preta, mas sim um roxo muito escuro feito com óxido de manganês o qual, em concentração elevada, chega a ter tonalidades negras.

A questão é que o óxido de manganês é bastante instável e altera facilmente de forno para forno; de fornada para fornada e até mesmo dentro de uma só fornada, dependendo da zona em que é colocado; portanto estou sempre bastante insegura quanto aos resultados que irei ter depois dos azulejos estarem cozidos. A ver vamos.

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TESTES DE COR

De volta à oficina e às mãos na massa depois de uma estada fora para banhos e limpeza da cabeça.

Para já, a rentrée coincide com um novo projecto – manufactura de réplicas deste azulejo de padrão e respectivos frisos, cerca de 200 unidades no total que irão colmatar as lacunas existentes na fachada de um edifício em Setúbal. As estampilhas já estão cortadas e os primeiros testes de cor, acabados de pintar, vão hoje para o forno.

MAIS PADRONAGEM

 

Coisas que acontecem: depois de ter feito cerca de 1500 azulejos novos para revestirem integralmente uma fachada de um edifício na Ajuda, sobre a qual falei aqui, tive logo a seguir uma outra encomenda de mais 130 réplicas de outros azulejos de estampilha aparentemente iguais, para colmatarem as lacunas de outra fachada de outro edifício, este na Lapa.

Quando digo aparentemente iguais, refiro-me ao facto destes serem uma outra variante do mesmo tema; não só por serem em tons de verde, mas também por medirem 13x13cm (aquela medida que não dá jeito nenhum) contra os 14x14cm dos anteriores. Até o padrão, que todos diríamos ser igual, afinal é um pouco diferente.

Com isto quero dizer que as chacotas tiveram de ser cortadas todas uma a uma e as estampilhas feitas de novo de acordo com as estas medidas e este motivo – o que soube bem, pois assim pareceu-me que afinal estava a trabalhar num projecto diferente do anterior. E estava.

 

 

 

ROCAILLE

Entreguei a semana passada 32 réplicas de azulejos para colmatarem as lacunas integrais existentes em cinco silhares de uma das salas do Palácio Marquês de Tancos, em Lisboa.

A tarefa não foi totalmente fácil – os azulejos originais adjacentes às lacunas estavam todos nas paredes; os azulejos em falta tinham todos medidas diferentes, algumas muito estranhas como 15,3 x 14,2cm ou 13,5 x 13,8cm e as chacotas tiveram de ser cortadas à mão uma a uma para cada lugar; os desenhos foram copiados de cócoras no meio da poeirada e ajustados caso a caso para ver se as linhas de contorno e as manchas cromáticas batiam certas o mais possível com os desenhos de entorno e por fim, encontrar o tom de manganês igual ao original é uma chatice e pode dar cabo da cabeça de qualquer um.

Curiosamente, correu praticamente tudo bem à primeira – e os azulejos já estão na parede. Confesso que por esta não esperava, mas fico muito satisfeita.

 

PADRONAGEM

Acabei ontem a empreitada que andei a fazer este último mês e que me ocupou o tempo quase todo: produzir 1530 azulejos de padrão, pintados à mão um a um na técnica de estampilha, para revestirem um pequeno edifício na Ajuda, em Lisboa. A produção não foi complicada, mas exigiu alguma organização diária e metódica que permitisse não só que a mesma fosse avançando, mas também que me deixasse ainda algum tempo livre para fazer outros trabalhos que entretanto poderiam surgir ou outra coisa qualquer que me desse na real gana e que evitasse que eu entretanto desse em maluquinha.

Aproveitando a deixa do meu forno grande – assim chamado por ser o maior aqui da oficina, mas na verdade, para um trabalho destes, ser ridiculamente pequeno – levar apenas 120 azulejos de cada vez e as fornadas demorarem dois dias cada, a produção foi decorrendo sempre de igual modo, diariamente, desde meados do mês passado: vidrar 60 chacotas logo de manhã, depois pintar 60 azulejos em conjuntos de dez de cada vez, cada azulejo com 4 estampilhas até ficar pronto, meter os azulejos em duas gazetes de 30 cada uma e finalmente limpar o excesso de vidrado dos 60 azulejos feitos de manhã e que assim ficavam já prontos a pintar no dia seguinte. De dois em dois dias, desenfornar, encaixotar e voltar a enfornar. E de vez em quando preparar mais 10kg de vidrado, tendo em conta que o mesmo deve ficar a repousar para o dia seguinte antes de se poder usar.

Amanhã saem do forno os últimos 80 que enfornei ontem.

Não fiquei maluquinha entretanto, mas temo pela minha sanidade mental.

 

 

 

 

AZUL E AMARELO

Estão entregues as 80 réplicas de azulejos do séc. XVII que fiz para a Igreja Matriz da Louriceira – feitas em tempo record e totalmente à mão; saíram quase directamente do forno para as paredes. Foram pintados cinco motivos diferentes, em número variado e não tive tempo de montar o padrão aqui na oficina, nem de fazer um ou outro ajuste que se calhar mereceriam; mas pela experiência que já tenho, acredito que vão ficar bem na parede, integradas no meio dos azulejos originais – fico curiosa por ver os resultados.

SÉC. XVII

Tenho andado ocupada com uma encomenda que me foi feita há cerca de um mês. Trata-se da manufactura de cerca de 80 réplicas de azulejos do séc. XVII, que irão colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar, do tipo tapete, de uma pequena igreja fora de Lisboa.

Apesar de alguma urgência na encomenda, as chacotas foram todas feitas à mão – os azulejos medem 14,4×14,4cm cada -, e apesar da minha preocupação com os tempos de secagem, a meu favor jogou não só o facto do tempo andar quentito, como também o dos azulejos originais serem bastante empenados e assim foi só estender as lastras, cortar os azulejos com a dimensão pretendida,  espalhá-los em ganapos por toda a oficina e deixá-los secar ao ar – o que aconteceu mais ou menos numa semana, coisa impensável no inverno, pelo menos aqui na oficina. E depois, não fosse o diabo tecê-las, enchacotei muito leeeeentameeeente durante os primeiros 200º e não tive nenhuma quebra.

Esta semana comecei a pintura, vinte azulejos por dia, mais ou menos; que não consigo fazer trabalho repetitivo por muito tempo e preciso de conjugar com outras coisas que tenho em mãos. Deixo os azulejos vidrados e limpos de véspera, pinto os motivos pedidos de cada tipologia necessária – são cinco diferentes, em número variável – meto nas gazetes e vidro e limpo o vidrado de mais vinte azulejos para o dia seguinte.

A semana que vem estão todos prontos para serem entregues; assim corra tudo bem com as fornadas.