QUARTO DE QUATRO

Terminei hoje o último quarto do painel que tenho estado a pintar para o revestimento de um balcão com quatro metros de comprimento e que tenho de entregar no dia 17 deste mês.

Estou ansiosa para finalmente ver o painel inteiro – vai a cozer esta noite e entretanto tento arranjar espaço para o estender no chão aqui da oficina; confesso que estou um pouco receosa com as transições entre os quatro segmentos, não tenho a certeza se são feitas harmoniosamente ou não. De qualquer modo e, à cautela, daqui a dois dias já vejo resultados e se alguma coisa estiver mal, ainda tenho tempo de a refazer ou aperfeiçoar e entregar tudo no prazo pedido.

 

 

 

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DEPÓSITO/RESERVATÓRIO/CONTENTOR

Há coisa de um mês fui a uma visita guiada à horta da Faculdade de Ciências de Lisboa e confesso que desde aí tenho andado obcecada com a ideia de manufacturar pequenos vasos, marcadores para plantas, medidores de humidade da terra e qualquer coisa que rentabilize a rega, não só no dia-a-dia, mas principalmente naquelas alturas em que uma pessoa está fora de casa.

Ainda em fase experimental – muito experimental -, tirei hoje do forno este pequeno contentor em terracota, baseado numa técnica de rega ancestral, com mais de 4000 anos, que permite manter o solo sempre irrigado, limitando o consumo de água de uma forma sustentável.

Inspirada pelas antigas Ollas – maravilhosas! – a ideia é enterrar este cone dentro do solo, apenas com a boca de fora, e enchê-lo com água. Ao ser porosa, a terracota vai libertando a água para a terra de uma forma constante e sem excesso, de acordo com o seu grau de humidade e com a necessidade das plantas. Ao regar assim e em profundidade, perto das raízes, consegue-se também poupar uma boa parte da água que muitas vezes se evapora quando a rega é feita à superfície.

Para já estou muito contente com este resultado; agora falta ainda testar uma série de aspectos, como tamanhos e respectivas capacidades de água, encontrar cortiça boa para fazer de rolha e definir um nome para isto.


 

EDIÇÃO LIMITADA

Estou muito satisfeita: em tempo record consegui fazer, embalar e entregar no prazo previsto uma edição limitada de 70 Relógios de Sol, que me foram encomendados pela Ageneal, a Agência Municipal de Energia de Almada, da Câmara Municipal de Almada, para assinalarem o seu 20º aniversário.

Cada peça é única, mede cerca de 12x12cm e foi totalmente executada à mão; o mostrador é em grés, com aplicação pontual de óxido de ferro, gravado de acordo com a latitude 38ºN e personalizado com o logotipo da Ageneal e o gnómon (ponteiro) é em aço inoxidável.

Em cada tardoz, o carimbo da Ageneal e o da Tardoz e a numeração da respectiva peça.

RELÓGIOS DE SOL

Estou muito contente: foi-me encomendada uma edição limitada de 70 Relógios de Sol comemorativos do vigésimo aniversário de uma associação cujo objectivo é contribuir para o aumento da eficiência energética e para a melhoria do aproveitamento das energias renováveis.

Os relógios foram todos cortados à mão e os mostradores foram gravados, um a um, de acordo com a latitude de Lisboa. Neste momento estão todos alinhadinhos nas prateleiras aqui da oficina – encontram-se em fase de secagem. Se tudo correr como espero, daqui a uma semana, quando estiverem bem secos, serão aperfeiçoados e acabados com uma lixa fina, depois levarão óxido de ferro e finalmente estarão prontos para ir a cozer a 1250ºC.

LASTRA

 

Comecei a trabalhar num projecto cerâmico aliciante e bastante diferente daqueles a que estou habituada, o qual aceitei imediatamente quando fui contactada – a manufactura de cinco candeeiros/luminárias/apliques em terracota, para as paredes de um pátio interior de um hotel em Lisboa.

De acordo com o desenho apresentado, serão executados quatro modelos diferentes, todos semelhantes em comprimento e largura, mas distintos na forma e na altura das superfícies frontais – um deles será repetido.

A manufactura não é complicada, mas apresenta alguns requisitos técnicos que convém obedecer; cada modelo será executado com lastras de dimensões consideráveis, as quais têm de ser cortadas tendo em atenção a percentagem de retracção do barro a fim de, no final, se respeitar o mais possível as medidas apresentadas no projecto; as lastras não devem ter uma grande espessura para não conferir demasiado peso a cada peça, mas por outro lado, também não podem ser finas demais, pois terão pouca estrutura e maior tendência a empenar durante a secagem e a cozedura; a montagem das lastras deve ser executada quando as mesmas apresentarem já um certo grau de secagem, caso contrário e, com estas dimensões, estarão moles demais para se poder manusear sem que haja deformação imediata; por último, a secagem deve ser feita muuuito lentamente e apesar desta humidade e frio aqui na oficina e também de uma certa urgência no prazo de entrega das peças, ainda assim vou ter de tapá-las com plástico durante uns dias para tentar evitar empenos, deformações e fendas.

Depois fica a faltar a cozedura, mas cada coisa a seu tempo.

 

 

 

ANO NOVO

 

Aproveitando o início do ano e também a encomenda que tive da loja do Mosteiro dos Jerónimos para fazer alguns fechos de abóbada em barro refractário, ando há três ou quatro dias ocupada a produzir uma série de Relógios de Sol que gostaria de deixar já feitos para o que der e vier – fica tudo a secar ao mesmo tempo e rentabiliza-se uma fornada de alto fogo.