ESMERALDA

Saíram hoje do forno os últimos azulejos manuais que fiz para o Atelier de Arquitectura Inês Brandão e que irão forrar a chaminé da cozinha de um apartamento que está a ser renovado no centro de Lisboa.

Estou muito satisfeita com este trabalho, é o tipo de encomenda que gosto: quantidade controlada de azulejos – 2m2 apenas -, a qual pode ser feita cuidadosamente e com tons personalizados de acordo com o pedido do cliente. Dentro do orçamento estavam contemplados testes de cores, não só de vidrados, como também de tintas e ainda duas amostras no formato final. E se assim não fosse, nunca me ocorreria utilizar este vidrado tão branco como fundo, nem este verde esmeralda ou azul esmeralda, ou o que lhe queiram chamar – depende do nível de daltonismo de cada um -, pois estou demasiado formatada no clássico azul escuro sobre branco antigo. E assim ficaram lindos!

ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA

Estou muito satisfeita com o conjunto de azulejos que pintei por encomenda para a Universidade da Lapónia e cujos desenhos aguarelados chegaram por carta directamente à caixa do correio aqui da oficina.

Foram 18 ilustrações botânicas diferentes, com representações científicas de plantas do Ártico, bastante detalhadas e minuciosas; as quais reproduzi manualmente, uma a uma, sobre o vidrado crú, com o rigor e a obsessão de quem teve formação e trabalhou em restauro durante 20 anos e que agora ganha a vida a fazer réplicas de azulejos quase miméticas – uma trabalheira, portanto; muito maior do que aquela que avaliei ao princípio, quando julguei que era apenas para pintar flores.

Foi toda uma linguagem nova, muito diferente da que estou habituada e a sua aprendizagem foi principalmente o que ganhei com este trabalho. Tenho pena que me tenham encomendado azulejos industriais finos, de 15×15 – os mais feios de todos, aqueles que eu não uso nunca! – mas enfim, acho que agora consigo ponderar voltar a pintar alguns destes desenhos em azulejos manuais, feitos aqui na oficina, muito mais bonitos. E só porque sim.

 

 

 

RUBUS CHAMAEMORUS

E quando tudo levava a crer que já tinha terminado a encomenda para a Universidade da Lapónia,  que já tinha falado aqui, eis que recebo ainda mais três imagens destas pequenas plantinhas resistentes ao frio, as quais pintei em mais três azulejos, aumentado o número total para 18 azulejos.

A última a ser pintada foi esta pequena plantinha silvestre, resistente ao frio, que pode crescer em latitudes tão elevadas como por exemplo 78ºN, de seu nome Rubus Chamaemorus, a qual produz uma pequena amora linda, cor-de-laranja; ao que parece, um fruto suculento muito saboroso, com o qual se pode fazer compotas, sumos, gelados, tartes e licores!

 

RELAXADA

Estou quase a acabar de pintar os quinze azulejos com várias ilustrações de plantas do Ártico, que me encomendaram da Finlândia.

Foram-me enviadas fotocópias a cores com os desenhos a reproduzir, os quais tiveram de ser redimensionados para o tamanho dos azulejos – 15x15cm, neste caso -; uns foram aumentados, outros reduzidos e no final cada ilustração é relativamente pequena e tem alguns detalhes que custam a entender.

Confirmei mais uma vez como é importante usar as ferramentas adequadas a cada tarefa que se faz e agora trabalho levemente com a pontinha de pincéis cada vez mais fininhos, que raramente uso; a paleta de cores é aguada q.b., os tons são aplicados por camadas, primeiro os mais claros, depois os mais escuros. Não estou habituada a pintar desenhos assim tão delicados; tento que pareçam o mais natural possível, mas tenho dificuldades – são os pincelinhos, são as cores, as tintas, a escala e o pormenor. No entanto, à medida que avanço de uns para os outros vou compreendendo cada vez melhor o que é que devo fazer e como é que devo fazer; depois relaxo e deixo a mão executar – se calhar, no final, deveria repetir os dois ou três azulejos que pintei no início, mas não sei se vou ter paciência para isso.

 

 

 

CASSIOPE TETRAGONA

Comecei ontem a trabalhar na encomenda de 15 azulejos com ilustrações de plantas nativas do Ártico, para enviar para a Finlândia no final deste mês.

As ilustrações têm muito detalhe e é tudo muito pequenino; para já tenho estado a fazer os estregidos, que me estão a dar mais trabalho do que aquele que esperava, pois convêm ter um picotado apertadinho, para ficarem com melhor definição – e já estou a com os olhos em bico.

Amanha de manhã, quando a luz é melhor aqui na oficina, começo a pintar a Cassiope Tetragona, uma planta anã, que pelos vistos gosta de frio e se encontra por todo o lado no alto Ártico e norte da Noruega.

QUARTO DE QUATRO

Terminei hoje o último quarto do painel que tenho estado a pintar para o revestimento de um balcão com quatro metros de comprimento e que tenho de entregar no dia 17 deste mês.

Estou ansiosa para finalmente ver o painel inteiro – vai a cozer esta noite e entretanto tento arranjar espaço para o estender no chão aqui da oficina; confesso que estou um pouco receosa com as transições entre os quatro segmentos, não tenho a certeza se são feitas harmoniosamente ou não. De qualquer modo e, à cautela, daqui a dois dias já vejo resultados e se alguma coisa estiver mal, ainda tenho tempo de a refazer ou aperfeiçoar e entregar tudo no prazo pedido.

 

 

 

AZUL E BRANCO

Às vezes acontece-me isto. Pedem-me um orçamento para a manufactura de um painel de azulejos, com um determinado tipo de decoração e tamanho e até amostras de cor de possíveis vidrados em tons âmbar e depois, afinal, o painel vai ser maior do que aquilo que estava previsto, os vidrados transparentes desaparecem e a decoração pedida passa a ser aquela tradicional, figurativa, a azul e branco – aquela que eu não sei fazer e que normalmente recuso; não sou uma pintora de painéis de azulejos, há quem faça disso a sua vida e o faça muito melhor do que eu.

Mas às vezes acontece-me isto; e não sei bem como, nem de que maneira, mas dei por mim a pintar uma paisagem rural, a azul e branco, num painel de azulejos de quatro metros de comprimento, que ainda por cima não me cabe todo no taipal e que tem de ser pintado em quatro quartos, um de cada vez e que tenho a sensação de ir avançando com o trabalho sem ter bem a certeza do que é que estou a fazer e sempre com medo que saia tudo mal, mas enfim; eu avisei.