SÉC. XVII

Tenho andado ocupada com uma encomenda que me foi feita há cerca de um mês. Trata-se da manufactura de cerca de 80 réplicas de azulejos do séc. XVII, que irão colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar, do tipo tapete, de uma pequena igreja fora de Lisboa.

Apesar de alguma urgência na encomenda, as chacotas foram todas feitas à mão – os azulejos medem 14,4×14,4cm cada -, e apesar da minha preocupação com os tempos de secagem, a meu favor jogou não só o facto do tempo andar quentito, como também o dos azulejos originais serem bastante empenados e assim foi só estender as lastras, cortar os azulejos com a dimensão pretendida,  espalhá-los em ganapos por toda a oficina e deixá-los secar ao ar – o que aconteceu mais ou menos numa semana, coisa impensável no inverno, pelo menos aqui na oficina. E depois, não fosse o diabo tecê-las, enchacotei muito leeeeentameeeente durante os primeiros 200º e não tive nenhuma quebra.

Esta semana comecei a pintura, vinte azulejos por dia, mais ou menos; que não consigo fazer trabalho repetitivo por muito tempo e preciso de conjugar com outras coisas que tenho em mãos. Deixo os azulejos vidrados e limpos de véspera, pinto os motivos pedidos de cada tipologia necessária – são cinco diferentes, em número variável – meto nas gazetes e vidro e limpo o vidrado de mais vinte azulejos para o dia seguinte.

A semana que vem estão todos prontos para serem entregues; assim corra tudo bem com as fornadas.

 

 

 

PROTÓTIPOS

2016-09-20-10-05-35

Ontem mostrei finalmente os protótipos dos azulejos em meio-relevo, que fiz por encomenda para a galeria Objectismo e que já tinha falado aqui.

Cada azulejo foi vidrado com um branco diferente e depois de encontrar o amarelo pretendido iniciei a pintura, mas deparei-me logo com algumas dificuldades; fazê-la manualmente seria o mais lógico – e foi como comecei – mas depois de pronto o primeiro azulejo percebi logo que iria ter problemas caso me pedissem para produzir uma série deles.

Resolvi passar ao plano B e optar pela técnica da estampilha, a qual não é óbvia quando se está a falar de pintar sobre motivos relevados – convém que a abertura da máscara coincida com o perfil das saliências -, mas após algumas tentativas falhadas, lá acabei por conseguir. O resultado ainda não está perfeito; mas a pintura executa-se mais rapidamente e caso me peçam para produzir uma série de azulejos, o logotipo aparece pintado sempre com as mesmas características.

O cliente viu – e gostou. Escolheu o protótipo com o vidrado branco que mais lhe agradou e  pediu-me para produzir uma série destes azulejos.

 

DESMULTIPLICAR

2016-07-12 09.10.40 2016-06-16 09.59.15 2016-07-08 11.07.29 2016-07-18 09.55.09 2016-07-19 13.53.01 2016-07-20 10.12.23 2016-06-15 12.28.22 2016-07-15 09.35.08 2016-04-21 09.48.57 2016-06-29 16.37.22

De repente ando sem mãos a medir.

Se até inícios de Junho este ano se revelou bastante fracote, obrigando-me a recorrer aos planos B e C para ir ganhando pelo menos o suficiente para pagar a segurança social e as despesas mensais aqui da oficina, de há um mês a esta parte foram-me aparecendo vários projectos para executar, os quais  gostaria de deixar terminados até ao fim de Julho – antes de ir uns dias a banhos e limpar totalmente a cabeça antes da rentrée.

Gosto de trabalhos pequenos, – começa-se um projecto, organizam-se materiais e tarefas, executa-se e quinze dias ou um mês depois, está entregue. Só não entendo é porque é que uma pessoa tem de fazer das tripas coração para cumprir prazos, (nem pensar em contratar ninguém para ajudar, claro; estes trabalhinhos vieram mesmo a calhar!) quando podia realizar com calma um projecto de cada vez.

Vá lá, dois.

ESBOÇO

2016-05-04 14.54.05

Comecei a trabalhar no desenho para uma nova encomenda que tive aqui há umas duas ou três semanas – um painel de azulejos para a parede de um lagar, numa pequena adega privada.

O painel tem de ser feito com chacotas manuais e o motivo foi mais ou menos deixado ao meu critério, mas podia ser “qualquer coisa como um Baco e uvas, muitos cachos de uvas”, pintado a azul e branco.

Estive a pensar e acho que vou usar também manganés – fica bem nos cachos de uvas.

 

ASCENDENTES

2015-12-17 12.51.32

Ainda em maré de exploração de árvores genealógicas: descobri que as há de descendentes e de ascendentes; tenho feito as primeiras, mas as segundas são as mais comuns; no tronco está o sujeito e pelos ramos desmultiplicam-se os seus antepassados.

Posto isto e, à experiência, resolvi pintar um azulejo avulso com uma destas – para oferecer ao Miguel Maria, que tem agora seis meses e pode pendurá-la no seu quarto.

Séc. XVIII

P1120636

Em paralelo com as réplicas dos azulejos relevados que fiz para o Arco do Alhambra, estive também a pintar meia dúzia de azulejos que integrassem as lacunas existentes no grande conjunto azulejar do séc. XVIII – em obras de conservação e restauro –  que reveste a parede da Sala D. Manuel, no Museu Nacional do Azulejo.

Saíram agora mesmo do forno; conto entregá-los para a semana que vem.

P1120646

PANÓPLIAS MILITARES

P1120625

Ontem deixei vidrados e arranjados os azulejos das Panóplias Militares, os quinze que faltavam para acabar o conjunto de réplicas que tenho de fazer para a Pena. Hoje percebi que subestimei o tempo que tinha previsto para a pintura e demorei mais do que estava à espera com cada um deles; queria a todo o custo fazer uma cozedura ainda esta noite, mas deparei-me com muitos pormenores e tintas e pincéis diferentes, que não tinha ainda reparado com tanta atenção.

Com alguma calma, resolvi que pintava o que conseguisse; no limite, a fornada podia fazer-se amanhã. Ainda assim, terminei os dezasseis que precisava – um a mais e ainda é pouco, que nestas coisas não vá o diabo tecê-las.

De qualquer modo acho-os feiosos e não me parece que, sem necessidade, os vá voltar a fazer outra vez.

P1120628

 

 

Pode ver mais em

Tardoz.pt

Tardoz – facebook