AOS QUADRADINHOS

Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.

A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.

E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.

Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.

 

ESTAMPILHA

Aqui há uns tempos fui desafiada para criar pequenos conjuntos de 4 azulejinhos manuais, pintados, com 7x7cm cada, para servirem de decoração de cozinha. Lembrei-me imediatamente daqueles pequeninos que faço, baseados na azulejaria tradicional portuguesa – que são tããão giros! – e quando os mencionei, disseram-me que sim, que “podiam ser esses e também outros, quaisquer outros que eu quisesse criar”.

Neste ponto confesso que bloqueei – mais de vinte anos a trabalhar em conservação e restauro de azulejos, dentre os quais os últimos seis ou sete foram dedicados a pintar réplicas para monumentos e edifícios, dão nisto. “Outros quaisquer, que eu quisesse criar… ” Como assim? Mas que mais é que se pode pintar em azulejo que não seja baseado na azulejaria tradicional portuguesa? Impossível, NÃO HÁ NADA!!! Ok, ok, bem sei que já criei uma série de azulejos diferentes – que se podem espreitar aqui – mas enfim, era outra coisa; eram azulejos relevados, não eram azulejos pintados.

Depois, aos poucos, lá fui raciocinando, claro; cozinha… cozinha…; o que é que tem a ver com cozinha?, o que é que pode ter a ver com cozinha?; e as ideias começaram a surgir; primeiro devagar, depois mais depressa  e depois em catadupa; sempre com a cabeça a mil e o entusiasmo de produzir, produzir!, de modo a quase ter de ser arrancada aqui da oficina.

E pronto; aqui estão eles; os primeiros resultados – azulejos manuais, pequeninos, pintados com estampilha.

E agora já tenho mais ideias novas.

 

 

 

 

 

 

 

12

Acabei a encomenda de 12 balaústres em terracota que me pediram para colmatar as lacunas de uma balaustrada de um pequeno jardim particular em Lisboa.

Não estão perfeitos, perfeitos; mas tendo em conta que foi a primeira vez que fiz réplicas de balaústres e trabalhei com lastras em vez de barbotina, até estou satisfeita com o resultado – e depois de pintados, juntamente com os originais, acho que nem se vai dar por eles.

 

BISCOITAS MILHAS

Coisas giras que acontecem: as minhas taças, cheias de Biscoitas Milhas, uns docinhos tradicionais de Valença, fotografadas pelo Gonçalo Barriga para o livro “A Doçaria Portuguesa – Norte”, da autoria da Cristina Castro. Assim de repente, estas Biscoitas Milhas parecem línguas-de-gato, mas segundo a autora, não têm nada a ver.

Confesso que nunca tinha ouvido falar desta guloseima, mas enfim; esta lacuna é só uma pequena parte da minha ignorância em matéria de doces tradicionais, uma vez que afinal também há os papudos, os sardões, as passarinhas e outros com nomes tão ou mais curiosos e que podem ser encontrados aqui!

 

CINCO

Devagar e com alguma calma, tenho andado a fazer os balaústres em terracota que me pediram para colmatar os doze que faltam numa balaustrada existente num pequeno jardim particular em Lisboa. Estou cada vez mais convencida que ando a trabalhar pelo processo mais moroso e difícil, mas a verdade é que desta forma isto também resulta – e cinco deles vão já esta noite a enchacotar.

MEIO BALAÚSTRE

Assim à vista e depois de alguns cálculos, acabei de modelar meio balaústre que me irá servir de base para a execução de 12 unidades que estão em falta numa balaustrada num pequeno jardim aqui no centro de Lisboa.

Tenho a noção de que estou a fazer isto da maneira mais difícil – mais valia modelar um balaústre inteiro, na roda ou por columbinas e depois tirar um molde de dois tacelos, que poderia ser cheio com barbotina e seria um instantinho – mas pronto; não trabalho com barbotina, não tenho ideia nenhuma de quanto é a sua retracção e como sempre, há alguma pressa na obtenção das peças o que não me permite estar agora a perder tempo com testes e provas antes de executar as peças.

Por isso, vou jogar pelo seguro e fazer como sei – faço um molde de um só tacelo e vou tirando meio balaústre de cada vez e depois colo uma metade com a outra. É mais moroso, sim; mas são só doze peças, não há-de demorar nenhuma eternidade.

CASA PARAÍSO

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Comecei o ano com mais uma encomenda terminada; na verdade, a última do ano passado – um pequeno painel de azulejos que fiz para o Rui Árias Ribeiro, da Iniciação à Genealogia    e que vai para a Casa Paraíso, uma pequena quinta no Alentejo.

O painel representa a árvore genealógica da D. Maria Serafina – aparecem não só os seus antepassados, como também os seus três filhos. No total são 18 pessoas, divididas por 5 gerações diferentes e organizar toda esta gente dentro de um esquema lógico que se adapte a um painel de azulejos, de modo a que nenhum nome coincida com nenhuma junta, ainda me deu algum trabalho, mas finalmente lá consegui chegar a alguma conclusão.

Agora que tenho alguma experiência, imagino que para a próxima seja mais fácil.