MAÇAROCA E FLOR-DE-LIS

Depois da empreitada que tive no final do ano passado, a produzir cerca de 50 réplicas de azulejos diferentes, com várias tipologias, tamanhos e espessuras para o Palácio Nacional de Sintra, foi-me agora pedida  ainda a manufactura de mais dois exemplares, que não tinham ficado decididos na altura.

Trata-se de uma réplica de um dos elementos do friso de azulejos relevados da Sala Árabe, compostos por duas peças verticais, com uma maçaroca numa flor-de-lis. Tal como a maioria das outras réplicas que fiz anteriormente, não existe nenhum exemplar disponível para ter comigo aqui na oficina, nem retirei nenhum molde do relevo directamente dos azulejos na parede, pelo que a modelação das peças é feita a olho, tentando reproduzir os motivos de modo a que estas se assemelhem o mais possível às originais do séc XVI.

Acabei agora de modelar o elemento superior; o próximo passo é tirar-lhe o molde.

 

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EDIÇÃO LIMITADA

Estou muito satisfeita: em tempo record consegui fazer, embalar e entregar no prazo previsto uma edição limitada de 70 Relógios de Sol, que me foram encomendados pela Ageneal, a Agência Municipal de Energia de Almada, da Câmara Municipal de Almada, para assinalarem o seu 20º aniversário.

Cada peça é única, mede cerca de 12x12cm e foi totalmente executada à mão; o mostrador é em grés, com aplicação pontual de óxido de ferro, gravado de acordo com a latitude 38ºN e personalizado com o logotipo da Ageneal e o gnómon (ponteiro) é em aço inoxidável.

Em cada tardoz, o carimbo da Ageneal e o da Tardoz e a numeração da respectiva peça.

RELÓGIOS DE SOL

Estou muito contente: foi-me encomendada uma edição limitada de 70 Relógios de Sol comemorativos do vigésimo aniversário de uma associação cujo objectivo é contribuir para o aumento da eficiência energética e para a melhoria do aproveitamento das energias renováveis.

Os relógios foram todos cortados à mão e os mostradores foram gravados, um a um, de acordo com a latitude de Lisboa. Neste momento estão todos alinhadinhos nas prateleiras aqui da oficina – encontram-se em fase de secagem. Se tudo correr como espero, daqui a uma semana, quando estiverem bem secos, serão aperfeiçoados e acabados com uma lixa fina, depois levarão óxido de ferro e finalmente estarão prontos para ir a cozer a 1250ºC.

ALICATADOS

Acabei finalmente a manufactura de todos os azulejos que me foram encomendados para a nova cafetaria do Palácio Nacional de Sintra.

Na sua maioria, foram azulejos manuais lisos, quadrados, de várias dimensões e também alguns frisos, uns mais curtos e outros mais longos, para forrar o balcão e as mesas altas, e ainda uma série de paralelogramos para compor um painel de tipo alicatado, baseado no revestimento azulejar da Sala Árabe, que apresenta uma composição geométrica de efeito tridimensional, e que irá decorar a parede de entrada.

CORAÇÃO MASAI

 

Coisas giras que às vezes tenho de fazer aqui na oficina: desta feita, um pequeno painel de azulejos em forma de coração, encomendado especificamente para oferecer num casamento em que a noiva é portuguesa e o noivo é queniano.

O painel exprime a união destas duas culturas, representadas pelos azulejos portugueses e pelas coloridas contas Masai, existentes nos adornos usados por este povo semi-nómada, localizado no Quénia e norte da Tanzânia. Estas peças carregam um grande simbolismo social, não só pelo tipo e forma de ornamentos, como também pelas cores neles utilizadas, onde cada uma tem o seu significado:

Preto: simboliza o próprio povo e as lutas que tem de travar;

Vermelho: é o sangue, a bravura e união;

Branco: representa a paz, a saúde e a pureza;

Amarelo: Sol, fertilidade e crescimento;

Azul: indica o céu e a energia,

Laranja: significa a amizade, a generosidade e a cordialidade.

O painel já seguiu viagem para o Quénia e agora estou muito curiosa para ver a fotografia da reacção dos noivos ao receberem-no no próximo domingo.