ESMERALDA

Saíram hoje do forno os últimos azulejos manuais que fiz para o Atelier de Arquitectura Inês Brandão e que irão forrar a chaminé da cozinha de um apartamento que está a ser renovado no centro de Lisboa.

Estou muito satisfeita com este trabalho, é o tipo de encomenda que gosto: quantidade controlada de azulejos – 2m2 apenas -, a qual pode ser feita cuidadosamente e com tons personalizados de acordo com o pedido do cliente. Dentro do orçamento estavam contemplados testes de cores, não só de vidrados, como também de tintas e ainda duas amostras no formato final. E se assim não fosse, nunca me ocorreria utilizar este vidrado tão branco como fundo, nem este verde esmeralda ou azul esmeralda, ou o que lhe queiram chamar – depende do nível de daltonismo de cada um -, pois estou demasiado formatada no clássico azul escuro sobre branco antigo. E assim ficaram lindos!

PARALELOGRAMOS

Depois de um final de ano atribulado, cheia de encomendas variadas para entregar até ao Natal e final de Dezembro, que me deixaram praticamente sem tempo nenhum para escrever, entrei em 2019 a trabalhar em mais um pedido do Palácio Nacional de Sintra – a manufactura dos revestimentos azulejares do balcão, mesas e parede da nova cafetaria, ainda em construção, baseados nos azulejos existentes em duas salas do palácio, com tamanhos e formas diferentes.

No total são quase 500 azulejos, feitos à mão e que assim de repente não sei bem quando é que vão secar, tal é o frio e a humidade existente aqui na oficina.

VOCÊ ESTÁ AQUI

 

Título: Você está aqui

Painel de azulejos apresentado no âmbito da exposição RE7 By the Nest, baseado na malha urbana de um dado lugar, feita pela conjugação de edifícios e infra-estruturas existentes e de espaços vazios, não edificados.

140cmx140cm

 

MODERNOS

Sexta-feira passada recebi um telefonema a convidar-me para participar numa exposição que irá inaugurar hoje e que estará em exibição durante sete dias; que tinham visto o meu trabalho no meu site e que tinham gostado muito e que gostariam muito que eu participasse com as peças que quisesse, bastando apenas enviar o nome das mesmas e uma pequena sinopse para cada uma.

Explicaram-me depois que se trata de um evento cultural organizado e promovido por uma agência imobiliária, a Louvre Properties, cujo objectivo é representar a simbologia do renascimento de um edifício no centro de Lisboa. O evento chama-se RE7 By The Nest e conta com 7 expressões artísticas, distribuídas por 7 pisos, durante 7 dias – ao fim dos quais o edifício entra em obras e terá uma nova vida.

Expliquei que não, que agradecia muito o convite, mas que eu não era nenhuma artista; que o meu trabalho é essencialmente realizado  no âmbito de intervenções de conservação e restauro de azulejos e que basicamente o que faço vai para as paredes anonimamente e que não tenho praticamente criação própria nem nenhum espólio guardado para expor.

Mas depois de abrir todos os armários aqui da oficina encontrei os azulejos baseados no Movimento Moderno da arquitectura portuguesa, que criei há alguns anos e que por sorte tinha uns quantos já vidrados e outros apenas enchacotados, à espera de algum vidrado que lhes ficasse bem, de acordo com a encomenda de quem os quisesse levar – o que nunca aconteceu.

De modo que, algumas insónias e algum trabalho mais tarde, consegui criar um painel de azulejos cujo nome e sinopse explicativa têm a ver com este evento em concreto, e que desta forma conferem a este conjunto de azulejos antes soltos, o estatuto de “peça”, onde agora cada um deles tem uma posição própria dentro do todo, com a devida marcação alfa-numérica no tardoz.

E que neste momento já está montado no local, à espera da inauguração da exposição, que ocorrerá daqui a três horas e de ser visto nos próximos sete dias.

A questão agora é – vou de saltos altos ou quê?

 

GRAVAR

Hoje estive a gravar o protótipo de um azulejo em meio relevo, o mais parecido possível com este original que me entregaram para eu fazer a produção de cerca de cem réplicas – e que estava parado há já algum tempo ali na prateleira, à espera de ordem para avançar.

Confesso que esta tarefa de modelar e gravar é de todas a que mais me agrada fazer; fico obcecada e não consigo parar para a pausa do chichi ou a do lanchinho a meio da manhã ou até mesmo para o almoço – hoje fui safa pelo carteiro, que felizmente apareceu com uma carta registada para eu assinar, já passava das duas da tarde e foi quando aproveitei para comer, em pé e a olhar para o trabalho, quase a intercalar as garfadas com os acabamentos com o teque de corte.

Sou uma privilegiada, eu sei.

 

 

 

AZUIS

 

Tenho andado atarefada com a manufactura do painel para a loja ALMA, em Bordéus. As cores que ensaiei já foram escolhidas e aprovadas e os primeiros azulejos já se podem ver. A pintura da padronagem não é difícil, mas requer algum cuidado e organização da minha parte, para tudo bater certo com o projecto que me foi entregue. De qualquer modo e, para já, tudo anda a bom ritmo e a par de outros trabalhos que tenho em mãos.

 

PROJECTO

Tenho andado ocupada com um novo projecto de azulejaria, que, para variar, se destaca um pouco das tradicionais réplicas de azulejos antigos que costumo fazer – e que adoro.

Trata-se de um painel de azulejos, novo, feito por encomenda segundo o desenho que me foi entregue, para uma loja de artigos portugueses que vai abrir em Bordéus. O painel é grande, tem 221 azulejos no total, divididos por 11 tipologias diferentes, as quais variam cromaticamente entre o branco e quatro tons de azul. No centro do painel está o nome da loja, como se se tratasse de um pequeno painel dentro de um outro, maior. Os azulejos são todos pintados à mão, um a um e apesar de não serem de difícil execução, ainda requerem algum trabalho e especial atenção, para no fim, baterem todos certos com o projecto apresentado.

MASCOTES

Há muitos anos – muitos, acho que mais de quinze; muito antes de eu ter a mesa de lastras e quando ainda me dedicava quase a 100% à conservação e restauro de azulejos -, foi-me pedido um orçamento para azulejos manuais laranjas e vermelhos, com 10x10cm cada, com o requisito de serem bastante toscos e irregulares. Como na altura tinha muito pouca noção dos tempos e dos custos da manufactura deste tipo de azulejos, resolvi fazer um metro quadrado de chacotas para me ajudar com as contas.

O trabalho nunca foi para a frente e as quase cem chacotas ficaram aqui na oficina, guardadas num armário, a ocupar espaço – nunca lhes dei grande uso; não se adaptavam aos trabalhos que eu ia tendo mas fazia-me impressão deitá-las fora. E assim sendo, carreguei com elas várias vezes de um lado para o outro; volta e meia lá ia usando uma ou outra para testes de cores ou amostras de vidrados, mas nunca lhes consegui ver grande utilidade.

Até agora – finalmente consegui dar-lhes uso.

 

 

 

 

 

AOS QUADRADINHOS

Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.

A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.

E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.

Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.

 

ESTAMPILHA

Aqui há uns tempos fui desafiada para criar pequenos conjuntos de 4 azulejinhos manuais, pintados, com 7x7cm cada, para servirem de decoração de cozinha. Lembrei-me imediatamente daqueles pequeninos que faço, baseados na azulejaria tradicional portuguesa – que são tããão giros! – e quando os mencionei, disseram-me que sim, que “podiam ser esses e também outros, quaisquer outros que eu quisesse criar”.

Neste ponto confesso que bloqueei – mais de vinte anos a trabalhar em conservação e restauro de azulejos, dentre os quais os últimos seis ou sete foram dedicados a pintar réplicas para monumentos e edifícios, dão nisto. “Outros quaisquer, que eu quisesse criar… ” Como assim? Mas que mais é que se pode pintar em azulejo que não seja baseado na azulejaria tradicional portuguesa? Impossível, NÃO HÁ NADA!!! Ok, ok, bem sei que já criei uma série de azulejos diferentes – que se podem espreitar aqui – mas enfim, era outra coisa; eram azulejos relevados, não eram azulejos pintados.

Depois, aos poucos, lá fui raciocinando, claro; cozinha… cozinha…; o que é que tem a ver com cozinha?, o que é que pode ter a ver com cozinha?; e as ideias começaram a surgir; primeiro devagar, depois mais depressa  e depois em catadupa; sempre com a cabeça a mil e o entusiasmo de produzir, produzir!, de modo a quase ter de ser arrancada aqui da oficina.

E pronto; aqui estão eles; os primeiros resultados – azulejos manuais, pequeninos, pintados com estampilha.

E agora já tenho mais ideias novas.