HISPANO-ÁRABES

Continua a bom ritmo a manufactura de réplicas de azulejos que estou a fazer para o Palácio da Vila, a maioria dos quais em corda seca e aresta-viva – técnicas utilizadas nos azulejos de padronagem mudéjar, introduzidos na Península Ibérica através da cultura árabe e que chegaram a Portugal em finais do século XV, inícios de XVI, através de encomendas a oficinas hispânicas.

A corda seca e a aresta-viva, são no fundo uma evolução técnica do fabrico dos revestimentos murais de padronagem alicatada, composta por uma infinidade de pequenas peças únicas, de formas e cores diferentes, recortadas a alicate de placas de barro vidradas, de cor lisa. Com a introdução destas novas técnicas de fabrico – primeiro a corda seca e depois a aresta ou cuenca -, conseguia-se criar revestimentos com padronagens de efeito visual semelhante às anteriores, a quais podiam ser produzidas com maior rapidez e muito provavelmente, a mais baixo custo, não só de fabrico, como também de assentamento. As peças passaram a ser de maiores dimensões e para criar esse efeito visual, a superfície apresentava pequenas zonas estanques, as quais eram vidradas com cores diferentes e protegidas por separadores que impediam que estas se misturassem ao fundir durante a cozedura.

Assim, a corda seca consistia na gravação do desenho numa placa de barro ainda húmida. Os sulcos obtidos eram depois preenchidos a manganês misturado com uma gordura, garantindo assim a separação dos vidrados de várias cores durante a cozedura. Pelo contrário, a aresta-viva consistia numa saliência com o desenho, que era conferida ao barro ainda húmido com o auxílio de um molde de madeira ou metal. Estas saliências faziam o mesmo efeito de separador dos vidrados coloridos, impedindo-os de se misturarem durante a cozedura.

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2 thoughts on “HISPANO-ÁRABES

  1. Parabéns Isabel. Está a trabalhar num dos locais mais emblemáticos, não só para a história palaciana em Portugal, como para a história do azulejo, pois o Palácio da Vila, segundo as mais doutas fontes, parece possuir exemplares dos mais antigos em Portugal, formando tapetes fantásticos, sobretudo na capela. Os manuelinos, sendo fantásticos, não são, no entanto, daqueles que mais fascínio exercem sobre mim.
    Apresentou aqui, em poucas linhas, uma verdadeira lição do fabrico inicial do azulejo. Isto que aqui refere foi, na altura em que me iniciei no azulejo, conhecimento fundamental para a compreensão da dificuldade que implicou o seu fabrico. Anteriormente não fazia a mínima ideia.
    Mais uma vez quero enviar-lhe os parabéns pelo trabalho fantástico que tem desenvolvido!!!!
    Manel

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