GRAVAR

Hoje estive a gravar o protótipo de um azulejo em meio relevo, o mais parecido possível com este original que me entregaram para eu fazer a produção de cerca de cem réplicas – e que estava parado há já algum tempo ali na prateleira, à espera de ordem para avançar.

Confesso que esta tarefa de modelar e gravar é de todas a que mais me agrada fazer; fico obcecada e não consigo parar para a pausa do chichi ou a do lanchinho a meio da manhã ou até mesmo para o almoço – hoje fui safa pelo carteiro, que felizmente apareceu com uma carta registada para eu assinar, já passava das duas da tarde e foi quando aproveitei para comer, em pé e a olhar para o trabalho, quase a intercalar as garfadas com os acabamentos com o teque de corte.

Sou uma privilegiada, eu sei.

 

 

 

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ALMA PORTUGUESA

Terminei a manufactura do painel de azulejos que fiz para a ALMA Portuguesa, uma loja com projecto da arquitecta Sofia Torres Pereira que, se tudo correr tão bem como esta produção, abrirá ainda este mês em Bordéus.

O painel é grande – vi-me aflita para o montar aqui no chão da oficina e mais ainda para o fotografar -; tem 221 azulejos, feitos e pintados à mão um a um, de acordo com o desenho que me foi entregue. O próximo passo será acondicionar os azulejos em caixas devidamente marcadas e entregá-las à transportadora que as levará para França.

Estou muito satisfeita com o resultado deste trabalho; fico ansiosa para ver fotografias dos azulejos na parede!

 

 

 

AZUIS

 

Tenho andado atarefada com a manufactura do painel para a loja ALMA, em Bordéus. As cores que ensaiei já foram escolhidas e aprovadas e os primeiros azulejos já se podem ver. A pintura da padronagem não é difícil, mas requer algum cuidado e organização da minha parte, para tudo bater certo com o projecto que me foi entregue. De qualquer modo e, para já, tudo anda a bom ritmo e a par de outros trabalhos que tenho em mãos.

 

PROJECTO

Tenho andado ocupada com um novo projecto de azulejaria, que, para variar, se destaca um pouco das tradicionais réplicas de azulejos antigos que costumo fazer – e que adoro.

Trata-se de um painel de azulejos, novo, feito por encomenda segundo o desenho que me foi entregue, para uma loja de artigos portugueses que vai abrir em Bordéus. O painel é grande, tem 221 azulejos no total, divididos por 11 tipologias diferentes, as quais variam cromaticamente entre o branco e quatro tons de azul. No centro do painel está o nome da loja, como se se tratasse de um pequeno painel dentro de um outro, maior. Os azulejos são todos pintados à mão, um a um e apesar de não serem de difícil execução, ainda requerem algum trabalho e especial atenção, para no fim, baterem todos certos com o projecto apresentado.

CERCADURA

 

Comecei finalmente a preparar-me para pintar uma série de réplicas variadas de azulejos do séc XVII, para as quais me foram pedidas chacotas não só com as mesmas medidas, como também com as mesmas espessuras dos azulejos originais – cerca de 1,5cm ou até um pouco mais,  e depois escacilhadas, à boa maneira dos azulejos tradicionais portugueses desta época.

As experiências de cor estão feitas, as de vidrados também – eles próprios variam um do outro. Vou começar por estes azulejos de cercadura, com anjos virados para a esquerda e para a direita, que são os meus favoritos.

 

 

EM SECAGEM

Aproveitando a deixa de duas encomendas que tive para fazer uma série de réplicas de azulejos de tamanhos, espessuras e técnicas diferentes, para fins variados, tenho andado ocupada a produzir chacotas manuais também para mim – e assim ficam já todas a ver se secam, que com o frio gelado que tem estado aqui na oficina, às vezes fico a pensar que têm mais utilidade como desumidificadores do ambiente e na melhor das hipóteses, lá para a Primavera devo conseguir cozê-las.

BISELADOS

Às vezes as coisas mais simples acabam por se revelar as mais complicadas. Tenho andado aqui às voltas com experiências de vidrados para tentar encontrar a cor de mel mais parecida – já não digo igual – à do azulejo biselado que me entregaram a fim de eu fazer algumas réplicas para um pequeno edifício na Ajuda.

A coisa não tem sido fácil, mas felizmente ocorreu-me pedir uma fotografia da fachada em questão e – tal como já devia estar cansada de saber – os azulejos originais variam de tons quase tanto como os meus, mais a mais tratando-se de vidrados transparentes coloridos com óxidos metálicos.

Assim sendo, e em boa hora, dou por terminada esta tarefa; a continuar assim, em breve arriscava-me a ter mais experiências de cor do que as cerca de quarenta unidades que preciso de fazer.