SÉC. XVII

Tenho andado ocupada com uma encomenda que me foi feita há cerca de um mês. Trata-se da manufactura de cerca de 80 réplicas de azulejos do séc. XVII, que irão colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar, do tipo tapete, de uma pequena igreja fora de Lisboa.

Apesar de alguma urgência na encomenda, as chacotas foram todas feitas à mão – os azulejos medem 14,4×14,4cm cada -, e apesar da minha preocupação com os tempos de secagem, a meu favor jogou não só o facto do tempo andar quentito, como também o dos azulejos originais serem bastante empenados e assim foi só estender as lastras, cortar os azulejos com a dimensão pretendida,  espalhá-los em ganapos por toda a oficina e deixá-los secar ao ar – o que aconteceu mais ou menos numa semana, coisa impensável no inverno, pelo menos aqui na oficina. E depois, não fosse o diabo tecê-las, enchacotei muito leeeeentameeeente durante os primeiros 200º e não tive nenhuma quebra.

Esta semana comecei a pintura, vinte azulejos por dia, mais ou menos; que não consigo fazer trabalho repetitivo por muito tempo e preciso de conjugar com outras coisas que tenho em mãos. Deixo os azulejos vidrados e limpos de véspera, pinto os motivos pedidos de cada tipologia necessária – são cinco diferentes, em número variável – meto nas gazetes e vidro e limpo o vidrado de mais vinte azulejos para o dia seguinte.

A semana que vem estão todos prontos para serem entregues; assim corra tudo bem com as fornadas.

 

 

 

MARCADORES DE MESA

Hoje à tarde entreguei estes azulejos que fiz para servirem de marcadores de mesa num casamento – que se irá realizar no próximo sábado.

A encomenda, feita por e-mail e em inglês,  dizia que queria azulejos manuais, baseados nuns outros com triângulos que eu já tinha feito antes (e mandava as fotografias dos meus) mas com 10x10cm cada e que os números das mesas, dez, no total, teriam de ir do  zero ao nove. As cores poderiam ser o azul e o coral – uma cor um bocado vaga – e os números podiam ser em preto. Em preto? Tem a certeza? perguntei eu com o meu inglês macarrónico; estou a pensar se não ficará muito carregado, não será melhor tudo com a mesma cor? Respondeu que sim; claro que sim, nem tinha pensado nisso – thank you, thank you!

E aqui estão eles, totalmente feitos e pintados à mão. Ela adorou. E por acaso, eu também!

12

Acabei a encomenda de 12 balaústres em terracota que me pediram para colmatar as lacunas de uma balaustrada de um pequeno jardim particular em Lisboa.

Não estão perfeitos, perfeitos; mas tendo em conta que foi a primeira vez que fiz réplicas de balaústres e trabalhei com lastras em vez de barbotina, até estou satisfeita com o resultado – e depois de pintados, juntamente com os originais, acho que nem se vai dar por eles.

 

BISCOITAS MILHAS

Coisas giras que acontecem: as minhas taças, cheias de Biscoitas Milhas, uns docinhos tradicionais de Valença, fotografadas pelo Gonçalo Barriga para o livro “A Doçaria Portuguesa – Norte”, da autoria da Cristina Castro. Assim de repente, estas Biscoitas Milhas parecem línguas-de-gato, mas segundo a autora, não têm nada a ver.

Confesso que nunca tinha ouvido falar desta guloseima, mas enfim; esta lacuna é só uma pequena parte da minha ignorância em matéria de doces tradicionais, uma vez que afinal também há os papudos, os sardões, as passarinhas e outros com nomes tão ou mais curiosos e que podem ser encontrados aqui!

 

CINCO

Devagar e com alguma calma, tenho andado a fazer os balaústres em terracota que me pediram para colmatar os doze que faltam numa balaustrada existente num pequeno jardim particular em Lisboa. Estou cada vez mais convencida que ando a trabalhar pelo processo mais moroso e difícil, mas a verdade é que desta forma isto também resulta – e cinco deles vão já esta noite a enchacotar.

MEIO BALAÚSTRE

Assim à vista e depois de alguns cálculos, acabei de modelar meio balaústre que me irá servir de base para a execução de 12 unidades que estão em falta numa balaustrada num pequeno jardim aqui no centro de Lisboa.

Tenho a noção de que estou a fazer isto da maneira mais difícil – mais valia modelar um balaústre inteiro, na roda ou por columbinas e depois tirar um molde de dois tacelos, que poderia ser cheio com barbotina e seria um instantinho – mas pronto; não trabalho com barbotina, não tenho ideia nenhuma de quanto é a sua retracção e como sempre, há alguma pressa na obtenção das peças o que não me permite estar agora a perder tempo com testes e provas antes de executar as peças.

Por isso, vou jogar pelo seguro e fazer como sei – faço um molde de um só tacelo e vou tirando meio balaústre de cada vez e depois colo uma metade com a outra. É mais moroso, sim; mas são só doze peças, não há-de demorar nenhuma eternidade.

TRIDIMENSIONAL

 

Hoje comecei a modelar um protótipo de um balaústre em terracota – tive uma encomenda para executar doze réplicas, para colmatarem as falhas existentes numa balaustrada de um pequeno jardim no centro de Lisboa.

Confesso que estou um pouco receosa com este trabalho – na verdade é algo bastante diferente daquilo que estou habituada a fazer – e embora não seja complicado, requer alguma atenção com as medidas, uma vez que o barro retrai durante a secagem e mais um pouco ainda durante a cozedura. E neste caso, em todas as direcções; comprimento, altura e largura. “E buracos também!” – segundo me alertou o Tiago Praça, meu amigo de longa data e ceramista experiente nestas andanças tridimensionais.