BISCOITAS MILHAS

Coisas giras que acontecem: as minhas taças, cheias de Biscoitas Milhas, uns docinhos tradicionais de Valença, fotografadas pelo Gonçalo Barriga para o livro “A Doçaria Portuguesa – Norte”, da autoria da Cristina Castro. Assim de repente, estas Biscoitas Milhas parecem línguas-de-gato, mas segundo a autora, não têm nada a ver.

Confesso que nunca tinha ouvido falar desta guloseima, mas enfim; esta lacuna é só uma pequena parte da minha ignorância em matéria de doces tradicionais, uma vez que afinal também há os papudos, os sardões, as passarinhas e outros com nomes tão ou mais curiosos e que podem ser encontrados aqui!

 

CINCO

Devagar e com alguma calma, tenho andado a fazer os balaústres em terracota que me pediram para colmatar os doze que faltam numa balaustrada existente num pequeno jardim particular em Lisboa. Estou cada vez mais convencida que ando a trabalhar pelo processo mais moroso e difícil, mas a verdade é que desta forma isto também resulta – e cinco deles vão já esta noite a enchacotar.

MEIO BALAÚSTRE

Assim à vista e depois de alguns cálculos, acabei de modelar meio balaústre que me irá servir de base para a execução de 12 unidades que estão em falta numa balaustrada num pequeno jardim aqui no centro de Lisboa.

Tenho a noção de que estou a fazer isto da maneira mais difícil – mais valia modelar um balaústre inteiro, na roda ou por columbinas e depois tirar um molde de dois tacelos, que poderia ser cheio com barbotina e seria um instantinho – mas pronto; não trabalho com barbotina, não tenho ideia nenhuma de quanto é a sua retracção e como sempre, há alguma pressa na obtenção das peças o que não me permite estar agora a perder tempo com testes e provas antes de executar as peças.

Por isso, vou jogar pelo seguro e fazer como sei – faço um molde de um só tacelo e vou tirando meio balaústre de cada vez e depois colo uma metade com a outra. É mais moroso, sim; mas são só doze peças, não há-de demorar nenhuma eternidade.

TRIDIMENSIONAL

 

Hoje comecei a modelar um protótipo de um balaústre em terracota – tive uma encomenda para executar doze réplicas, para colmatarem as falhas existentes numa balaustrada de um pequeno jardim no centro de Lisboa.

Confesso que estou um pouco receosa com este trabalho – na verdade é algo bastante diferente daquilo que estou habituada a fazer – e embora não seja complicado, requer alguma atenção com as medidas, uma vez que o barro retrai durante a secagem e mais um pouco ainda durante a cozedura. E neste caso, em todas as direcções; comprimento, altura e largura. “E buracos também!” – segundo me alertou o Tiago Praça, meu amigo de longa data e ceramista experiente nestas andanças tridimensionais.

PALETA DE CORES

Acabei hoje a intervenção que fiz no Passo do Terreirinho; essencialmente, execução de cerca de 120 réplicas de azulejos do séc. XVIII, pintados a manganês e branco, para colmatarem as lacunas dos que foram roubados ou vandalizados e acompanhamento do seu assentamento na parede.

Aproveitando a deixa e já que por ali estava, não resisti a fazer a integração cromática de alguns preenchimentos de uma ou outra falha de vidrado, de maior dimensão, que o ladrilhador tapou quando betumou as juntas e que de repente saltavam muito à vista – preciosismos de quem trabalha nesta área do restauro, mas assim a capela fica mais bonita para receber a procissão que vai lá passar já no próximo domingo.

 

DE CARA LAVADA

Na semana passada chegou aqui à oficina a Barbora Zisková (com um trema sobre o z e outro sobre o s) – a minha nova assistente nos próximos dois meses, vinda directamente da Eslováquia.

Apesar de trabalhar em marketing, o objectivo da Barbora é ter uma experiência diferente e aprender alguma coisa sobre manufactura de azulejos, dando-me em troca uma ajudinha  com toda esta parafernália informática importante, que me escapa completamente e a qual reconheço ter pouca apetência para aprender.

Fiquei então a saber, a semana passada, que a imagem do meu blog – este – estava completamente “old fashioned” e que ela se propunha fazer-lhe um “refresh”, para ficar com um ar mais moderno. Old fashioned? Como assim? Um blog que eu criei – criaram-me – há sete ou oito anos e que sempre se manteve com o mesmo aspecto? Tomara eu ter o mesmo aspecto de há sete ou oito anos!

Mas enfim, ok; ela é que é de marketing – deve saber do que é que está a falar.

E pronto; aqui está. Com outro ar e mais funcional. E elegante! Mas é só isso, mesmo; outra imagem, que os conteúdos também deveriam levar um refresh, mas para já irão ficar tal como estavam antes, que eu agora tenho muitos azulejos para fazer.

 

PASSO DO TERREIRINHO

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Aqui há uns tempos largos fui contactada para apresentar orçamento para a manufactura de réplicas de azulejos para uma pequena capela em Lisboa, que só abre uma vez por ano para ser visitada pelo Senhor dos Passos, que faz aqui uma das suas paragens durante a  procissão de 12 de Março.

Este passo é lindo; todo revestido com azulejos do séc.XVIII pintados a manganês e branco – invulgares q.b., mas feitos especificamente para aqui, de acordo com a cor convencional roxa do Senhor dos Passos -, era uma pena estar em tão mau estado de conservação.

As obras arrancaram no início deste ano e como sempre, o passo será aberto para a procissão já no próximo mês – mas desta vez completamente recuperado e com os azulejos de volta à parede.